quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Santo de Casa faz milagre...

(...)
"Mestre, meu mestre querido!
Coração do meu corpo intelectual e inteiro!
Vida da origem da minha inspiração!
Mestre, que é feito de ti nesta forma de vida?

Não cuidaste se morrerias, se viverias, nem de ti nem
                                                                     [ de nada,
Alma abstracta e visual até aos ossos,
Atenção maravilhosa ao mundo exterior sempre
                                                                    [ múltiplo,
Refúgio das saudades de todos os deuses antigos,
Espírito humano da terra materna,
Flor acima do dilúvio da inteligência subjectiva...

Mestre, meu mestre!
Na angústia sensacionaista de todos os dias sentidos,
Na mágoa quotidiana das matemáticas de ser,
Eu, escravo de tudo como um pó de todos os ventos,
Ergo as mãos par ti, que estás longe, tão longe de mim!

Meu mestre e meu guia!
A quem nenhuma coisas feriu, nem doeu, nem pertubou,
Seguro como um sol fazendo o seu dia
                                                    [ involuntariamente,
Natural como um dia mostrando tudo,
Meu mestre, meu coração não aprendeu a tua
                                                   [ serenidade.
Meu coração não aprendeu nada.
Meu coração não é nada,
Meu coração está perdido.

Mestre, só seria como tu se tivesse sido tu.
Que triste a grande hora alegre em que primeiro te ouvi!
Depois tudo é cansaço neste mundo subjectivado,
Tudo é esforço neste mundo onde se querem coisas,
Tudo é mentira neste mundo onde se pensam coisas,
Tudo é outra coisa neste mundo onde tudo se sente.
Depois, tenho sido como um mendigo deixo ao
                                                               [ relento
Pela indiferença de toda a vila.
Depois, tenho sido como as ervas arrrancadas,
Deixadas aos molhos em alinhamentos sem sentido.
Depois, tenho sido eu, sim eu, por minha desgraça,
E eu, por minha desgraça, não sou eu nem outro nem
                                                              [ ninguém
Depois, mas porque é que ensinaste a clareza da vista,
Se não me podias ensinar a ter a alma com que a ver
                                                              [ clara?
Porque é que me chamaste para o alto dos montes
Se eu, criança das cidades do vale, não sabia respirar?
Porque é que me deste a tua alma se eu não sabia que
                                                              [ fazer dela
Como quem está carregado de ouro num deserto,
Ou canta com voz divina entre ruínas?
Porque é que me acordaste para a sensação e a nova
                                                             [ alma,
Se eu não saberei sentir, se a minha alma é de sempre a
                                                                      [ minha?

Prouvera ao Deus ignoto que eu ficasse sempre aquele
Poeta decadente, estupidamente pretensioso,
Que poderia ao menos vir a agradar,
E não surgisse em mim a pavorosa ciência de ver.
Para que me tornaste eu? Deixasses-me ser humano!

Feliz o homem marçano,
Que tem a sua tarefa quotidiana normal, tão leve ainda
                                                               [ que pesada,

Que tem a sua vida usual,
Para quem o prazer é prazer e o recreio é o recreio,
Quem dorme sono,
Que come comida,
Que bebe bebida, e por isso tem alegria.

A calma que tinhas, deste-ma, e foi-me inquietação.
Libertaste-me, mas o destino humano é ser escravo.
Acordaste-me, mas o sentido de ser humano é dormir."


Inquietação - Álvaro de Campos. Fernando Pessoa.
http://multipessoa.net/labirinto/alvaro-de-campos/19


Natiruts - Acústico (2012) - DVD Completo
http://www.youtube.com/watch?v=n00h_xbXW18



domingo, 31 de agosto de 2014

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

O capitalismo e suas contradições...

Outro dia almoçando no shopping, não pude deixar de me ater à trilha sonora da praça de alimentação...


"Seems like everybody's got a price
I wonder how they sleep at night
When the sale comes first
And the truth comes second
Just stop for a minute and
Smile"

"It's not about the money, money, money
We don't need your money, money, money
We just wanna make the world dance
Forget about the price tag"

"Why is everybody so obsessed
Money can't buy us happiness
If we all slow down and enjoy right now
Guarantee we'll be feelin'
All right"

http://www.kboing.com.br/cimorelli/1-1101023/

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O final de uma gestação...

Inicia-se ou finaliza-se um novo ciclo na humanidade, se é que isso existe ou faz alguma diferença.

O fato é que aqui estão e estarão reunidas pessoas em comunhão, parceria e trabalho contínuo com o intuito de questionar e/ou desconstruir ideias e conceitos a todo instante dentro dos preceitos éticos vigentes e em constante construção e desconstrução.

As publicações não tem nem dono, nem identidade, nem patrocínio, todos somos responsáveis pelo que cada um de nós diz. O grupo cria, o grupo opina, o grupo colabora, o grupo faz acontecer. Não existe pré-requisito algum para fazer parte, acredite, juntos podemos superar qualquer limitação ou obstáculo.

Prometemos: errar bastante, jamais sermos perfeitos, sermos frágeis, despertar paixão, amor, inveja, ódio e todo e qualquer sentimento que nos remove do status quo, da zona de conforto, da inércia mental, da falta de crítica, da ignorância, da ganância desmedida, da inversão de valores. E acima de tudo sermos humanos...

Não importa se grandes ou pequenos (se é que isso existe, ou faz alguma diferença...) seremos do tamanho que pudermos e quisermos ser. Seremos simplesmente nós mesmos.

O projeto não tem responsáveis, nem regras que não sejam a liberdade incondicional, a colaboração, a construção e o respeito mútuos.


"I can't seem to face up to the facts
I'm tense and nervous can't relax
I can't sleep, 'cause my bed's on fire
Don't touch me I'm a real live wire "

"You start a conversation you can't even finish it
You're talkin' a lot but you're not sayin' anything
When I have nothing to say my lips are sealed
Say something once, why say it again?"

"Ce que j'ai fait, ce soir-là
Ce qu'elle a dit, ce soir-là
Réalisant, mon espoir
Je me lance vers la gloire
We are vain and we are blind
I hate people when they're not polite"


Psycho Killer, Talking Heads - http://www.kboing.com.br/talking-heads/1-41919/